DAS VIELAS PARA A PASSARELA - A MODA MARGINAL DE MILE LAB NA SPFW



Dentre todo caos que a sociedade, inclusive a periferia vem passando em um cenário de pandemia, grandes movimentos estão acontecendo que nos trazem motivos para poder sorrir.

Nós da MILE LAB estamos adentrando oficialmente na maior semana de moda da América Latina, a SPFW ( São Paulo Fahion Week) através do Projeto Sankofa.

É um momento inédito que acontece das terras do Grajaú para o mundo.


Da realidade que nós vivemos, por todos os becos e muros que passamos, enxergar uma marca periférica dentro de um espaço como a SPFW é dito como algo impossível. Quantas barreiras são necessárias derrubar para poder ver isso ser parte da nossa realidade?


Nascer em um lugar que é abandonado pelo governo, acaba nos tornando sobreviventes que luta diariamente para construir as próprias oportunidades.


Cantinho do Céu, Grajaú - Fotografia por Milena Lima

Esse é um marco na história da periferia, é o momento de mostrar toda a nossa potência e competência enquanto comunidade. É o momento de mostrar para o mundo o quanto somos capazes de fazer a transformação em nossa terra. Utilizando da costura e da criatividade como armas nessa guerra pelo reconhecimento de nossas vidas.


É grandioso sentir o quanto esse passo que estamos dando, irá mostrar para as nossas crianças que elas podem chegar onde quiserem, não existe o impossível para quem nasceu para sobreviver, e mostrar que para além da sobrevivência, temos o direito de viver nossos sonhos e seguir em comunhão com a plenitude do universo.

Com dignidade, respeito e coletividade, chegaremos longe. Como já dizia Raul Seixas ''Sonho que se sonha só, é só um sonho que se sonha só, mas sonho que se sonha junto é realidade.''


Nosso maior objetivo estreando na SPFW é trazer nossa cultura, nossa perspectiva poética de ver a vida e mostrar como esses corpos marginais coexistem em uma linda dança com a força ancestral que permeia nossa história. É momento de olhar para este legado e dar continuidade na construção de um futuro onde nós estamos vivos.


Seguimos lutando todos os dias para que isso não se limite como um acontecimento fora da curva. Não é apenas sobre a inclusão dentro do cenário da moda nacional, mas sobre o pertencimento desses corpos marginais como direito de ocupar e fincar suas raízes dentro desses espaços.


Estamos aqui para mostrar que a favela sempre carregou muita competência, o que nos falta são recursos enquanto individuos em uma sociedade que constantemente tenta nos silenciar e apagar nossas vidas. Fecham-se os olhos para as margens da cidade, onde sofremos sem investimento na cultura, saúde e educação. Viver sem recursos que deveriam ser básicos, mas que para nós é luxo, nos fez seguir a filosofia de que ''É nóis por nóis'', sempre foi assim e sempre será.


A força do coletivo move o nosso mundo e hoje só nos comprova que quando juntamos forças, somos capazes de criar a nossa própria realidade, e que essa realidade carregue prosperidade de vida e muita luz nos caminhos que formam a nossa quebrada.


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